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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


Acordamos cedo para apanhar o barco para o aeroporto. A viagem dura à volta de 1h20. Vamos tranquilamente e com tempo. Ainda tento dormir um bocadinho, mas um verdadeiro exemplar italiano não me permite, com a sua particular forma de falar alto e bom som.
Saímos do vaporetto e percorremos os 7 minutos até ao aeroporto e encontramos o balcão de check-in a abarrotar de gente. Depois de 25 minutos à espera, chega a nossa vez. Vamos fazer o controlo e mais 15 minutos à espera. Não percebemos de onde vieram aquelas pessoas todas. Caberiam em Veneza?
Finalmente, já no avião, preparo-me para dormir uma sestinha. Eis senão quando chega a típica família italiana. Ocupam a fila atrás de nós e mais duas à nossa frente. E nós estamos mesmo no meio. E são a verdadeira família italiana! Falam aos berros e passam a maior parte da viagem em pé e estão sempre a saltitar de lugar em lugar e a olhar para nós – somos como um pequeno enclave!
O céu está límpido e conseguimos ver Portugal inteiro.
Mas a sensação que temos ao ver o Tejo e a familiar paisagem de Lisboa é indescritível. Estamos de regresso à nossa cidade!

Veneza é uma cidade com uma forma de ser e rotinas muito próprias. Em qualquer sítio, um quarto de hotel com vista para um parque de estacionamento é mal visto. Pois em Veneza é um prazer olhar para o parque de gôndolas à entrada de um hotel junto ao Hard Rock Café.
De resto, o meio de transporte é o barco. Sejam ambulâncias, polícia, bombeiros, entregas urgentes da UPS ou DHL, lavandaria… Tudo de barco!
Com excepção da entrega de pizzas, que vimos ser feita a pé. Finalmente, desvendámos o mistério da recolha do lixo!

Hoje é o último dia para explorar Veneza. Os destinos são San Polo, Santa Croce e Dorsoduro, o bairro onde jantámos ontem.
As nossas botas secaram completamente após a chuvada de ontem! Começamos o dia entre as banquinhas de frutas, vegetais e peixe do mercado de Rialto.

Todos os produtos estão agradavelmente expostos e a apelar à compra, as alcachofras cuidadosamente descascadas e em água! Todos os vendedores têm um ar altamente entendido em assuntos gourmet!

Dali seguimos para o largo Campo San Polo, onde brincam crianças e cães. Passamos pelas Scuolas Grandes di San Rocco e di San Giovanni Evangelista e chegamos à Chiesa Santa Maria Gloriosa dei Frari, uma obra-prima do séc. XV que expõe preciosidades como a Assunção da Virgem de Ticiano, o magnífico Coro dos Frades com 124 assentos, a Virgem com Santos de Bellini, a tocante estátua de João Baptista de Donatello e o medonho túmulo do Doge Giovanni Pesaro. Já tínhamos reparado noutras igrejas que há vários serviços religiosos. E aos domingos as igrejas têm casa cheia nos vários serviços, o que demonstra a fé dos venezianos.
Continuamos pelas ruas, vielas e pontes e chegamos ao bairro Dorsoduro, onde vemos estudantes e mais estudantes. Fomos ter por acaso ao movimentado Giardino Papadopoli, perto da Piazzale Roma. Por várias vezes adoptámos a táctica de seguir as pessoas. É um bom truque.
Ao chegarmos perto do Campo Santa Margherita vimos um original e prático barco-mercearia.

No Campo, era dia de feira de antiguidades. Descobrimos a loja que forneceu máscaras a Stanley Kubrick para o flme Eyes Wide Shut! Passeámos pelo Zattere e demos por finalizado o passeio junto às galerias da Accademia. Daí, fomos a pé para a Piazza San Marco, onde enveredámos por ruelas e vielas até uma famosa casa de pannini, mas que é mais fama!
Subimos de elevador aos 98,5 metros do Campanile de San Marco, onde estava um frio de rachar, mas com uma vista deslumbrante para Veneza inteira e com o céu límpido que permitia ver os Alpes.

Depois disto fomos dar um óptimo e recomendável passeio de vaporetto. Sentámo-nos na proa, a sentir o vento (e o frio geladinho) na cara e a admirar as belas vistas de Veneza, com os seus muitos palazzos e o atribulado tráfego fluvial.
Saímos em Rialto e fomos fazer umas comprinhas.
O nosso último jantar foi no Conca d’Oro, a primeira pizzaria de Veneza. Depois disso fomos conhecer o Harry’s Bar, que fica ao lado da Bienal de Veneza e foi o primeiro Harry’s Bar do mundo.

Acordamos cedinho. O dia está chuvoso e promete ficar assim. Vamos artilhados com capas e chapéus-de-chuva para explorar os bairros do Castello e Cannaregio. Conhecemos o Hotel Danieli, na Riva degli Schavioni, passamos na chiesa Santa Maria della Pietá e vamos até ao Arsenale. Os canais estão sem gôndolas, que descansam com o mau tempo. Perdemo-nos intencionalmente pelas calles e campos do Castelo, um bairro com um ar mais residencial, com as suas mercearias, pastelarias e padarias.

Depois de alguns desencontros, vamos ter ao Cannaregio, bairro que alberga a rua mais estreita de Veneza (calle Varisco) e (provavelmente) a mais larga (Strada Nuova). Pelo caminho, o Ca’ d’Oro, o Ghetto Judaico (aprendemos que a palavra ghetto tem origem em Veneza, deriva de getto, que significa fundição, devido a uma velha fundição que ali existiu. Destaque para a Farmacia Poncci, a mais antiga farmácia de Veneza, que continua a expor ingredientes medicinais. Chegamos literalmente ao fim da linha quando chegamos à Stazione Ferrovie della Stato Santa Lucia. Tentamos voltar ao hotel de vaporetto, mas desistimos da ideia quando a senhora da bilheteira nos informa que é uma viagem de 40 minutos!
No regresso a pé para o hotel ouvimos uma sirene, um barco ambulância. Ao contrário daquilo que pensávamos, Veneza não tem um único carro ou motociclo. Mesmo a entrega de pizzas é feita a pé. Continuamos intrigados com o sistema de recolha do lixo.
À noite saímos para jantar em Dorsoduro, numa das pizzerias mais afamadas da cidade, a Ai Sportivi. Vamos e voltamos a pé. As pizzas são agradáveis, mas o que gostámos mesmo foi do Tiramisú!

Chegamos ao aeroporto de Veneza perto do meio-dia. Apanhamos o vaporetto para a cidade, que fica a 8 km. Está um dia magnífico de sol, apesar dos 3º que não se fazem sentir muito. A viagem de barco começa e preocupamo-nos com a duração, quando vemos sinais de proibido andar a mais de 7 km por hora. Após uma longa viagem, em que passámos por Murano, chegamos a San Zaccaria.

Damos de caras com o Palácio Ducal e a primeira impressão é de absoluta maravilha. Viramos à direita, para San Marco e a beleza da basílica é de cortar a respiração. É época de “acqua alta”, em que várias praças e artérias da cidade alagam com a maré cheia. A praça parece um lago, por onde passam algumas pessoas com galochas. À volta, uma longa passadeira numa espécie de estrado transporta a grande maioria das pessoas. Há várias paragens nesta passagem, causadas por curtas pausas que os passantes fazem para tirar fotos.
Procuramos o hotel com a ajuda do iPhone. O quarto é encantador e muito acolhedor. Tem duas janelas e uma delas tem vista para um canal. Largamos as malas e partimos ansiosos por explorar o sestiere San Marco. O plano é fazer o caminho entre a praça de San Marco e Rialto.
Voltamos à praça de San Marco e vamos visitar a basílica. É uma extraordinária basílica bizantina e gostámos particularmente dos mosaicos do Nártex, do pavimento e das cúpulas. A caminho da Merciere, paramos para uns panini.

No caminho para o Rialto, passamos por encantadoras ruas e pontes, dezenas de palazzos com os seus barquinhos à porta, e tiramos fotos a desconhecidos que se passeiam pelas tradicionais gôndolas. As gôndolas são mais bonitas do que pensámos, mas os gondoleiros não cantam!

Passamos pelo Campo San Bartolomeo e somos surpreendidos pela concorrida ponte de Rialto. Na margem do Canal Grande são muitos os cafés e gôndolas. Continuamos a explorar o bairro, pouco preocupados por onde andamos, levados pela magia desta espantosa cidade. Entramos no Caffé del Doge, para o primeiro café à italiana. Experimentamos uns canolli, uma guloseima típica, e continuamos a nossa aventura. Estamos com uma sensação incrível, encantados com todos os recantos.
Passamos pelo Scala Contarini del Bovolo, palácio do séc. XV frequentemente usado em filmes, continuamos pelo típico Campo Sant’Angelo e vamos até à estonteante Accademia, a que chegamos atravessando um jardinzinho. Ao chegarmos à ponte dell’Accademia são quase 5 da tarde e a luz do anoitecer encanta Veneza. Voltamos para trás e vamos até à ponte dos Suspiros. Mas antes fomos ao museu da Música (fabuloso, lindo) e passámos por uma curiosa galeria que tinha uma exposição de quadros feitos com petróleo, areia, insectos e galhos. Voltamos para o hotel para descansar, depois deste longo dia.