Dia # 0, 2ª feira

A Viagem

A viagem Lisboa - Cancun está prevista para as 13.00. De manhã, por curiosidade, vamos à Internet ver se está tudo conforme previsto e descobrimos que a hora de partida é às 11.40!! Stress total! Passa das 9.30, o que vamos fazer? Depois de termos ficado a olhar um para o outro, lá desencantamos um táxi, que exigiu termos ido para a rua gritar e correr andar de táxis, e lá vamos a caminho do aeroporto.

Lá chegados, damos de caras com outros turistas esbaforidos a correr para o check-in, todos sem perceber a razão deste engano.

Fazemos o check-in e, surpresa, o voo é mesmo às 13.00... Temos tempo de sobra e vamos ver lojas e de seguida para o lounge orange tomar o pequeno-almoço e ler jornais.

Ao comprar as minhas revistinhas para a viagem (obrigatório, para férias, um carregamento de revistas cor-de-rosa), o Rui dá um mau jeito nas costas que o deixa inválido e com capacidade para levar, apenas, o meu chapéu de palha. Até Cancun fui uma verdadeira super-mulher: nécessaire, pasta do computador e mochila. Rui: Chapéu de palha na cabeça! Ao subirmos as escadas para o avião, ele apercebe-se com pesar que toda a gente olha de lado para ele  e (tão querido) cheio de boa vontade, vinha atrás de mim a empurrar-me para me ajudar a subir!

As mais de 10 horas de voo permitiram acalmar as dores e, chegados a Cancun, a carga foi distribuída pelos dois, após termos escolhido o pior carrinho do aeroporto, que não virava, só ia em frente. Para virar tínhamos que dar pontapés para o lado que queríamos ir e fazer umas tristes figuras, sempre com os outros turistas a olhar-nos com um ar suspeito.

Finalmente, no transfer que nos leva a Playa de Carmen, o guia turístico, um muito bem-disposto Israel, deu-nos umas dicas sobre o México e, em concreto, sobre a Riviera Maya.

Ficamos a saber que a origem dos Maias é asiática, o que explica os olhos rasgados e a mancha mongólica com que todas as crianças nascem, entre outras características físicas que os assemelham aos chineses.

Quanto à língua maia, todos nós conhecemos algumas palavras, como Cancun ou chicle (diz-se chiclé), que é o fruto da árvore que dá o látex. O fruto, quando mascado, é elástico e deu uma das melhores ideias para um negócio que teve origem na década de 1860, pelo sr. Thomas Adams Jr. Chi significa boca e cle é movimento.

Ainda no transfer, vemos que os turistas são todos jovens casais e uma boa percentagem está em lua-de-mel.

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Chegamos ao Riu Palace Riviera Maya perto da hora de jantar, cansadíssimos e com um jetlag de 6 horas. Jantamos e fazemos um reconhecimento do local, impressionados pela imponência do resort. No entanto, ficamos abatidos quando vemos que nesse dia choveu. Seja como for, viemos para descansar!

 

Dia # 1, 3ª feira

Acordamos pela fresquinha, às 7.30 e tomamos um faustoso pequeno-almoço e depois vamos para a reunião marcada para as 9 horas com outra guia turística, que nos fala sobre as excursões disponíveis e outras informações, como o seguro médico e o contacto do médico, por exemplo.

Marcamos a viagem para Chichen Itza para o dia seguinte, 4ª feira. Durante o resto da manhã tivemos mais actividades, como a reserva dos restaurantes e ainda tratar de alguns assuntos de trabalho.

Finalmente vamos para a praia, onde aquele azul do Mar das Caraíbas impera e nos deslumbra.

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Estávamos deitados na praia quando começa a chover. Levantamo-nos imediatamente, muito aborrecidos, mas mais ninguém se mexe. Lá vamos de malas aviadas, e vemos que ninguém ligou nenhuma à chuva, pois não passaram de uns míseros pingos de 2 minutos. Com o orgulho ferido e envergonhado, vamos embora da praia e mudamo-nos para a piscina e lá ficámos o resto do dia. 

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Jantamos no restaurante mexicano, uma refeição não muito picante de iguana, segundo o empregado, regada a mojitos e margaritas.

 Dia # 2, 4ª feira

Novamente, acordamos de madrugada, desta vez às 6 horas, para tomarmos o pequeno-almoço antes das 7.30, hora a que partimos para Chichen Itza. Afinal, já muita gente estava acordada aquela hora, tanto é o calor e a humidade que se sentem.

No caminho, de mais de 3 horas, paramos num centro de artesanato que funciona como uma cooperativa que pretende preservar a cultura maia.

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Chegamos a Chichen Itza, uma das 7 (novas) maravilhas do mundo.

Verdadeiros amadores das excursões, olhamos para os outros casais, completamente equipados. Não trouxemos chapéu, nem protector, nem repelente. Mas saímos do autocarro, começamos a destilar com os 35º de temperatura.

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O parque é fabuloso e a sua história intrigante. Chichen Itza foi fundado por volta dos anos 435 e 455 e, por exemplo, a construção da pirâmide de Kukulkan obedece rigorosos cálculos matemáticos que permitem que:

- O total de degraus da pirâmide seja equivalente ao número de dias do calendário solar.

- Nos equinócios de Primavera e de Outono, quando as condições climatéricas permitem, é possível assistir a um fenómeno óptico que torna possível ver o deus Kukulkan, uma serpente com plumas, a descer a grande escadaria, que culmina com a sua cabeça em pedra.

- Frente à escadaria, ao bater palmas, a pirâmide "canta", isto é, emite um som resultante das ondas sonoras que "sobem" as escadas, provocando um eco distorcido que faz lembrar o canto de um quetzal.

Entretanto, o calor aumenta e sabemos mais tarde que a temperatura atingiu os 42º. 

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Na viagem de regresso paramos em Valladolid, uma vila colonial com um tipo de arquitectura muito simples. O resto da viagem foi aproveitado a pôr o sono em dia, ainda baralhado com o novo fuso horário.

Logo que chegamos ao hotel tomamos um duche e vamos para o bar, tomar merengues e copacabanas (os nossos cocktails de eleição e sem álcool).

Jantamos no restaurante de rodízio, desta vez com caipiriña (versão com rum).

 Dia # 3, 5ª feira

Neste dia começamos a reparar no ritmo quase frenético de casamentos no resort. Num dia fraco há 2 casamentos.

 

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Foi um dia de absoluto descanso, em que o máximo que tivemos que decidir foi se mergulhamos no mar ou na piscina.

 Dia # 4, 6ª feira

Mais um cansativo dia de repouso e contemplação do azul caribenho. Descobrimos o spot perfeito para passar o dia: já na na praia, mas mesmo junto à piscina, sob a sombra dos coqueiros e sempre com uma agradável aragem. 

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O Ramon passa o dia a servir-nos merengues, copacabanas e greenpeaces.

Fazemos longos passeios pela praia, onde vemos turistas entretidos em escavações em busca de exóticas conchas.

Dilema do dia: jantar no restaurante japonês ou no de fusão? Ganhou o japonês.

Dia # 5, Sábado

Estamos com um bronze invejável e certamente uns bons quilos a mais. Ao pequeno-almoço há waffles e panquecas com cajeta (um caramelo maravilhoso), sumos de banana, de melão e meloa... enfim! Mas acabamos por ficar descansados quando espreitamos para os pratos dos outros, completamente cheios.

Foi mais um dia difícil de descanso e merengues. 

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O Rui já vai no seu terceiro livro e eu aproximo-me do final do meu "2666" e as suas 1030 páginas. Os dias passam num instante, nem damos pelo tempo a passar.

Dia # 6, Domingo

As férias estão a chegar ao fim.

Damos o último dos nossos passeios pela praia e assistimos à preparação de uma escultura em gelo, tarefa que exige muita perícia e o domínio da motosserra.

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Jantamos lindamente no restaurante de fusão e assistimos ao espectáculo de Mariachis (mas sem a farta bigodaça mexicana).

Terminei o "2666", de Roberto Bolaño. Soberbo, apesar de pouco prático, dado o peso do livro.

Fazemos a mala, para aproveitarmos amanhã as últimas horas de férias na praia.

 Dia # 7, 2ª feira

Voltamos a acordar pela fresquinha, às 7 horas para aproveitarmos as últimas horas de México.

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Ao pequeno-almoço, já um pouco enjoados de panquecas, optamos pelas frutinhas.

Demos os últimos mergulhos, quer no mar, quer na piscina, e saímos do quarto mesmo em cima da hora.

O regresso a Lisboa aproxima-se.

O regresso

A viagem foi um horror. 10 horas de verdadeiro suplício, numa viagem cheia de turbulência que exigiu segundas e terceiras vias do saquinho de enjoo (agora já constatámos que os sacos têm mesmo utilidade).

Eu enjoei imenso, mas contei sempre com o Rui, que foi muito doce e tratou muito bem de mim. Abanou o leque para me refrescar, descascou-me Halls (tenho esta mania, que resulta, de que o Halls trata quase todos os problemas) e deu-me coca-cola.

Lisboa à vista. Chove.